Fórmulas mágicas e os empresários de palco versus a realidade
Recentemente li uma postagem de Bruno Lacerda, (a quem mais uma vez dedico meus aplausos). A postagem originalmente divulgada no Linkedin reteve muitos minutos da minha atenção. Dediquei bastante tempo pensando a respeito do que ele escreveu e da minha própria indignação com o tema. Indignação essa, que já me acompanha há algum tempo. Diariamente ao navegar nas redes sociais me deparo com anúncios que me fizem recordar da publicação de Bruno.
No post em questão ele aborda sobre os “empresários de palco”. Pessoas que, de repente, resolveram ser referência e convencer à todos que são especialistas em algum tema, no qual em maioria não o são. Para isso, adotam técnicas como: simular sua participação em um podcast, comprar seguidores, se passar por empresários de sucesso, quando nem ao menos empreenderam uma vez sequer em suas vidas.
O problema não para por aí. No meu último artigo: “A banalização do Marketing”, falo sobre como todos, de repente, podem ser especialistas em marketing. Mesmo que, tenham como background apenas o uso assíduo das redes sociais ou um curso de valor financeiro baixo e conteúdo ainda inferior, ministrado por alguém que também não é, de fato, habilitado, especialista ou experiente na área.
Como empresária, há 15 anos, conheço bem as lutas e os desafios que diários a serem enfrentados. Por isso, não desmereço os esforços de quem está começando. Os apoio e incentivo. Desejo apenas que tenham dedicação, empenho, força, persistência e constância. Além de, responsabilidade profissional. Desejar sorte a todos, sem critérios, seria invalidar os esforços reais que o empreender exige, como a habilidade de lidar com o inconstante, com o incerto, sem desistir.
Muitos empresários de sucesso poderiam ministrar cursos enriquecedores para massas. Mas, nem todos o fazem. O que vejo são, novamente, entusiastas disfarçados de empresários de sucesso ou especialistas em determinado assunto, vendendo fórmulas mágicas.
Pensando nisso, refleti muito sobre as questões que elenco a seguir:
1. O que é preciso dominar para estar apto a se ensinar?
2. Quais critérios devem ser utilizados ao se escolher uma fonte de ensino?
Então, me vi parafraseando Paulo Freire, que disse:
“Saber que ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” (FREIRE, Pedagogia da Autonomia. 1996, p. 47).
Assim, ele afirma que um professor não é aquele que domina totalmente o tema que ensina, mas sim aquele que sabe como transmitir esses saberes aos outros. Ele completa que:
“O próprio discurso teórico, necessário a reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática.” (FREIRE, Pedagogia da Autonomia. 1996, p.39).
Dito isso, entende-se que a prática de ensinar, em sala de aula ou através de cursos online, precisa ser condizente com o discurso. Ou seja, é necessário coerência entre o que se fala e o que se faz, a verdade.
Concluindo minha análise, vejo que saber ensinar é uma coisa, saber o que se ensina é outra. Por isso, busco sempre fontes com background verificado e didática adequada, coerentes entre si. Estes foram e sempre serão critérios decisivos para mim ao adquirir um curso ou me matricular em alguma instituição de ensino. E para você?
Me sinto indignada ao ver que muitas pessoas têm um verdadeiro potencial para ministrar aulas, atuar como professores. Mas, não para especialistas que vendem fórmulas mágicas como têm feito.. Afinal, conseguem ensinar algo e incitar a busca pelo aprimoramento dentro do outro. Talvez como verdadeiros Coachs, essenciais para o momento que a humanidade vive, enfrentando altos índices de desemprego, pobreza, necessidade cultural e intelectual, luta contra a depressão e etc. Porém, eles têm influenciado pessoas positivamente… enquanto tentam enriquecer às custas delas. Ao menos existe algo positivo, a esperança que plantam na mente das pessoas durante a fase inicial do aprendizado e da tentativa, às vezes frustrada, de fazer acontecer.
No entanto, infelizmente, alguns destes novos empresários e especialistas querem apenas palco… e dinheiro, claro. Vendem fórmulas mágicas para enriquecer fazendo algo que nem eles sabem ao certo como fazer. Bruno usou o nome “Empresários de Palco“. Penso ser essa a melhor definição, até para evitar termos que possam soar ofensivos ou que coloquem a índole destas pessoas em julgo.
Para finalizar, trago mais um trecho da postagem do Bruno. O trecho abaixo traduziu meu pensamento de anos e pode te fazer refletir a respeito da grande oferta de cursos e treinamentos atualmente disponíveis no universo online, todos ministrados por pessoas incríveis que podem te convercer de que aquilo será o ponto de virada em sua vida.
“SÓ GANHA DINHEIRO COM FÓRMULA MÁGICA… quem te convence de que ela existe.” – Bruno Lacerda
Sugiro então uma reflexão a respeito da profundidade e da qualidade do que é ofertado, da verdade que existe ou não ali. Mas, principalmente quanto à quem são essas pessoas e se de fato são quem demonstram ser, ou se este seria apenas mais um truque.
Por tanto, cuidado ao acreditar em toda solução única que você encontrar na internet e em todo especialista que possui mais seguidores do que background real. 😉
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